Uma noite especial
Uma palavra: "muito sono". Três da manhã. Quatro horas de viagem para ver um jogo de futebol. Benfica-Nacional, que mais poderia ser? Um grande estádio, cinquenta e duas mil pessoas, uma grande equipa, enfim, todos os ingredientes de uma noite de sonho. Um golo, um momento. Milhares de pessoas de emoções conjugadas a gritarem uma palavra, como se de uma só pessoa se tratasse. Único, mas a grande surpresa ainda estava para vir. Na viagem de regresso surgiu o impensável. Achava-a inatingível ou inalcançável, mas conheci-a. Estivémos quatro horas, na solidão de um autocarro cheio de gente, a fazer perguntas um ao outro do tipo "O que é que vês quando te vês ao espelho?" ou "O que é que fazias se soubesses que só tinhas um dia de vida?"... Superficial ou profunda? Não sei... Mas no final, houve um desejo mútuo de voltar a Lisboa, só para prolongar a conversa por mais umas horas. Foram as quatro horas mais curtas e mais bem passadas de que tenho memória. Uma pessoa linda e inteligente, que gosta do que eu gosto, que pensa como eu penso, que mais se pode pedir? O pior é que tenho a certeza que nunca mais vou falar com ela e que aquela conversa acabou e não se voltará a repetir.
E com isto tudo, esqueci-me de falar da coisa mais importante até algumas horas atrás, as férias. Who cares?...
Agora vou dormir, que o meu mal é sono.
E com isto tudo, esqueci-me de falar da coisa mais importante até algumas horas atrás, as férias. Who cares?...
Agora vou dormir, que o meu mal é sono.

